o NOVO FLAMENGO DE DOME E F. LUÍS

Quando foi noticiada a saída de Jorge Jesus um mar de incertezas tomou a cabeça de todos os flamenguistas. Para quem acompanhou a equipe em 2019 com atenção, sempre ficou claro que o rendimento dos jogadores foi potencializado com a chegada do técnico português. A confiança do time era o espelho de JJ – o grande líder daquele grupo.

Domènec Torrent chega e demonstra outro tipo de personalidade. Mais introvertido e humilde, o espanhol enfrentou com aparente tranquilidade as derrotas nas 2 primeiras rodadas. Talvez com o tempo este cenário mude, mas, enquanto Dome não se soltar, o Flamengo necessitará que a liderança do Flamengo venha de dentro de campo e ela tem nome: Filipe Luís.

O lateral-esquerdo, que esteve na última Copa do Mundo com a seleção brasileira, é um jogador com capacidade fora do comum para se comunicar e vem mostrando um envolvimento com o Clube que pode transformá-lo definitivamente em um ídolo. Tanto na desastrosa derrota para o Atlético-GO, quanto na importante vitória sobre o Coritiba, foi ele o jogador a dar entrevistas. Certeiro nas palavras, não cai nas armadilhas da repórter e ratifica que os assuntos tratados entre Comissão Técnica e jogadores não diz respeito a terceiros.

Com a saída de Rafinha – com o campeonato em andamento -, F. Luís ganha ainda mais importância dentro do grupo e, a meu ver, deve ser o canal de liderança a ser utilizado por Dome durante a sua adaptação. Não há nenhum problema no perfil mais reservado do espanhol, desde que ele saiba utilizar, a seu favor, os líderes do grupo, especialmente F. Luís.

A saída de Rafinha será reposta por Maurício Isla. Jogador de 32 anos da seleção chilena, atualmente sem Clube, mas com histórico vencedor. Pelo que foi divulgado, faltam apenas os exames médicos para que a contratação seja efetuada. Chegaria com contrato de 2 anos e meio. Um segundo jogador, com perfil mais jovem, também pode ser contratado, apesar da boa partida feita por João Lucas contra o Coritiba. O mais cotado é Guga do Galo.

Sobre a vitória, o time teve bom desempenho, com maior destaque para F. Luís e Arrascaeta. Ambos fizeram grande partida. Também estiveram bem César, J. Lucas, R. Caio, L. Pereira e ER. Ainda precisam evoluir: Arão, Gérson, BH e Gabigol. Principalmente Gérson e BH estão muito abaixo do desempenho do ano passado. Arão e Gabigol vêm evoluindo na parte física e estão melhorando.

Do ponto de vista técnico, Dome precisa ler melhor o jogo para realizar as substituições durante a partida. Frequentemente vem colocando Pedro na vaga de um jogador de maior mobilidade, o que retira o dinamismo da equipe. A entrada de Pedro, caso não seja em um jogo em que o adversário esteja acuado, deve se dar mais no final da partida. Caso ele entre nas vagas de Arrascaeta e BH, como ocorreu nos 2 últimos jogos, quando o Flamengo tinha dificuldades no domínio do meio-campo, o time inevitavelmente perde rendimento.

Por outro lado, Michael e Pedro Rocha devem ser utilizados em mais minutos, assim como T. Maia, pois dão ritmo à equipe. São jogadores velozes e técnicos e podem contribuir muito mais do que estão contribuindo. T. Maia pode substituir Arão ou Gérson, que ainda não estão 100% fisicamente. Michael sempre entrou bem na vaga de Éverton Ribeiro, ou seja, aberto pelo lado direito. Pedro Rocha possui o estilo mais próximo ao de BH e deveria ter mais oportunidades quando BH não estiver produtivo.

Vitinho, a meu ver, é o reserva de Arrascaeta, ainda que não possua a mesma capacidade de decidir uma partida.

Feitos os ajustes necessários, o novo Flamengo, de Dome e F. Luís, tem tudo para obter sucesso, mas dependerá que os jogadores assumam o protagonismo e liderança que deixaram a cargo de Jorge Jesus em 2019.  Dome e sua Comissão têm outro estilo e devem focar no desafio técnico de compreender rapidamente a engrenagem do futebol brasileiro e sul-americano, para que saibam como agir nos momentos críticos da temporada. A leitura dos adversários também é importantíssima. Aos poucos o espanhol vai se soltando e contribuindo para que os tempos de glória durem ainda mais.

Paciência e resiliência devem ser as palavras a inspirar o “novo Flamengo”.

SRN

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