gabigol: o herói esquecido?

O bom desempenho de Pedro deve ser comemorado. Desde a temporada passada era sentida a ausência de um centroavante de ofício, capaz de segurar os dois zagueiros adversários e abrir espaços para os demais atacantes e meias ofensivos do Flamengo. Isto, de modo algum, significa que Gabigol não esteja fazendo falta ao Flamengo durante esse período em que se recupera de grave contusão.

O centroavante no esquema tático posicional adotado por Dome é o homem que dá profundidade pelo meio, mantendo os zagueiros adversários próximos de sua própria grande área. Os pontas (BH e Éverton Ribeiro) dão “largura” ao time, o que faz com que os meias (T. Maia, Gérson e Arrascaeta) tenham campo livre para criar.

Contudo, o que Gabigol acresce ao time é algo que nenhum outro jogador do elenco consegue acrescer. É muito mais que arrastar a linha de defesa adversária para trás, é mais do que marcar gols, porque é um “nove” móvel, moderno, decisivo, que dá maior mobilidade à equipe e capacidade de surpreender o adversário com troca de posições. Gabigol, em determinados momentos dos jogos, é capaz de trocar de posição com BH, Arrascaeta e ER, o que dá a ele o expressivo número de 10 assistências em 2020.

A efetividade de Pedro para marcar gols é elogiável, por ser um nove de ofício, criado assim desde as divisões de base. No entanto, comparar o aproveitamento de gols de Pedro com o de Gabigol é uma grave injustiça, pois em 2019 o que Gabigol fez foi muito mais que marcar gols.

Em 84 jogos pelo Flamengo, Gabigol marcou 59 gols e deu assustadoras 21 assistências. Ou seja, são 84 jogos e 80 participações diretas em gols jogando pelo Flamengo. Na carreira, são 309 jogos, 145 gols, e 51 assistências, jogando por Clubes. Ainda marcou 2 gols pela Seleção Principal.

Gabigol é um jogador que dá inúmeras possibilidades táticas ao treinador e foi devidamente utilizado em 2019. Dome também deve aprender o quanto é útil ter “nove” móvel. Aliás, sem querer comparar nomes e talentos individuais, o atual treinador do Flamengo era auxiliar de Guardiola quando o Barcelona jogava sem um “nove” fixo, com Pedro, Messi e David Villa se revezando na posição.

Para a torcida fica a lição, não é Gabigol ou Pedro. É Gabigol e Pedro. Jogadores com características COMPLETAMENTE distintas, que podem ser utilizados separados ou juntos, a depender do adversário e da situação do jogo.

Não devemos JAMAIS esquecer Gabigol. O maior ídolo do Clube Pós-Zico e autor dos 2 gols mais importantes da história recente do Clube.

SRN

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