Craque o flamengo ainda faz em casa?

Dome chegou ao maior Clube do Brasil há mais ou menos duas semanas. Ainda está conhecendo os jogadores e o elenco. Talvez ainda não tenha dado tempo de conhecer a história do Flamengo e é preciso que contem a ele o lema do Clube: “craque o Flamengo faz em casa”.

Dome nasceu na Catalunha, por isso, talvez se lembre da Seleção Brasileira de 1982. Neste mítico time – um dos maiores times da história do futebol -, as laterais eram ocupadas por Leandro e Júnior, dois jogadores mundialmente conhecidos e os dois maiores laterais da história do Flamengo. Contem a ele que Leandro e Júnior foram “Crias da Gávea”. Avançando um pouco mais no tempo, Dome também deve conhecer a história de Jorginho e Leonardo. Os dois laterais da Seleção Brasileira campeã do mundo de 1994, coincidentemente, também eram jogadores revelados pelo rubro-negro carioca.

Na partida contra o Grêmio, o treinador teve medo de colocar o jovem Matheuzinho, que tem bom desempenho na base, inclusive com convocações para as seleções brasileiras de base. Talvez o treinador sequer conheça o potencial de Matheuzinho. Mas, o jovem jogador é inegavelmente talentoso e também teve bom desempenho no “Time B” do Flamengo que iniciou a disputa do Campeonato Carioca de 2020.

Contra o Botafogo, segundo noticiado, Dome também cogita a escalação de Renê na lateral-direita, o que, mais uma vez, levaria o jovem Matheuzinho a não ter a chance que tanto espera de dividir a escalação com R. Caio, F. Luís, Arrascaeta, Gabigol etc. Daqui a 10 (dez) anos, esta coluna pode parecer uma insanidade, caso Matheuzinho não se torne uma realidade. Todavia, eu prefiro errar na busca por um talento que não custe nada ao rubro-negro do que ver o Clube insistindo na contratação de jogadores medianos, em detrimento dos jovens do Ninho do Urubu.

Aí vêm as perguntas: a partir de quando o Flamengo passou a ter medo de lançar jovens? Existe momento melhor para lançar talentos como Matheuzinho, Ramon, Lázaro e R. Muniz do que este? Apesar do início ruim de campeonato, eles estariam cercados de jogadores experientes, multicampeões com o próprio Flamengo em 2019, o que traria maior tranquilidade. O desempenho de Patrick de Paula e Gabriel Menino no Palmeiras demonstra a capacidade que jovens jogadores possuem de dar mais velocidade e vitalidade ao time. Muitos sequer sentem o peso da camisa, pois estão habituados a jogar sob pressão desde as divisões de base.

O Botafogo, ao contrário do Flamengo, tem um time recheado de jovens jogadores. Alguns garotos vêm demonstrando grande futuro, como Matheus Babi, que dão ao time muita velocidade para atuar no contra-ataque. Na partida contra o Galo, o time mineiro teve o domínio da posse de bola, teve chances de finalização, mas não aproveitou, enquanto o alvinegro carioca foi mais efetivo e saiu vencedor da partida.

Para esta partida, o trabalho de Dome será basicamente anular as jogadas de contra-ataque do Botafogo e criar meios para que os jogadores de ataque superem a última linha defensiva, que atua sempre muito próxima à grande área. Diante desse cenário, a presença de laterais agressivos, que consigam ir até a linha de fundo, como faz Matheuzinho, pode ser um diferencial e um dos caminhos para a vitória no clássico de domingo, às 11h.

Para o futuro, sinceramente, não espero de Domènec Torrent que ele se pareça com Jorge Jesus. Não quero que ele abra mão dos dois pontas abertos, como ele prefere atuar. Contudo, exijo que tenha a coragem de Pep Guardiola, de quem foi auxiliar por mais de uma década, e que não teve medo de lançar jovens como Messi, Pedro, Busquets, Kimmich, entre outros.

A história antiga e recente do Flamengo (Vinícius Júnior, Paquetá, Reinier, Leo Duarte (Milan) etc.) nos mostra que este é o caminho para que o Clube consiga competir em alto nível. Os salários atuais dos jogadores somente podem ser pagos em razão das vendas bem-sucedidas de jovens da base, que, por terem mostrado alto desempenho no time profissional, tiveram o seu valor de venda majorado. Assim, tanto esportivamente, como financeiramente, é muito importante que Dome saiba utilizar a base de maneira exitosa, o que pode colocar o treinador em condição de ter mais opções de escalação, com custo zero.

É importante que Dome faça a transição do trabalho de Jorge Jesus para o dele de maneira tranquila, mas sem esquecer suas raízes e a história linda e rica do Mengão.

SRN

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